O californiano
Ty Segall, a cada ano que passa, demonstra que não só é um artista totalmente imprevisível para o ouvido preguiçoso, como também uma presença cada vez mais imprescindível para o rock moderno. Enquanto explorava uma vertente mais direccionada para o folk (bastante evidente em
"Sleeper", o seu último disco a solo), juntou-se aos amigos (e colaboradores musicais) de longa data
Charles Moonheart e
Roland Cosio para formar
FUZZ, uma nova banda que rapidamente revelou-se como um retiro espiritual para o prolífico Segall, onde o mesmo pode confortavelmente descarregar as suas energias criativas, desta vez em torno da bateria. Prova imediata disso mesmo foram alguns singles de 7" editados ao longo deste ano, bem como o seu primeiro longa-duração homónimo agora lançado, tudo sob o selo da editora In The Red Records.
Tomando como infra-estrutura o esquema sonoro de bandas como
Blue Cheer ou
The Black Lips e pegando no ambiente maníaco de
"Slaughterhouse" (dos
Ty Segall Band), o disco poderia acabar por ser não muito mais do que uma amálgama dos espectros rock dos projectos anteriormente encabeçados por Segall. Felizmente, a participação activa de Charles Moonheart enquanto guitarrista e vocalista fornece a necessária pausa audível desse catálogo musical, conferindo carisma e independência a este projecto e permitindo a Segall uma nova perspectiva musical. E embora à primeira audição os
FUZZ não pareçam ser mais do que uma continuação conformista da corrente que une o stoner-rock ao heavy-psych, a verdade é que o seu primeiro disco impera como um das estreias musicais mais auspiciosas e surpreendentes de 2013.
Um destaque FREEZE que serve como o ponto de partida perfeito para o regresso do Fahrenheit 107.9 à nova grelha da Rádio Universidade de Coimbra, a comprovar-se esta semana de segunda à sexta, das 14h às 15h.
Pedro Nora